espaço que alicia o pensamento, particularmente o perverso
24
Jan 05
publicado por rogerio, às 18:09link do post | comentar | ver comentários (10)
“Sem dúvida um grande homem!” dirão alguns; “Sem dúvida um homem grande”, dirão muitos. A verdade é que ele é exactamente isso: um misto de homem grande e de grande homem. Um homem sem pudor ou sem qualquer tipo de preconceitos. Fala de pornografia e de sexo de forma natural e admite que tenha feito uso da cocaína em tempos mais conturbados; faz aquilo que mais gosta, que é fazer sexo, e ainda ganha dinheiro por isso; assume-se como um jogador e estratega e é exímio na execução dos seus planos.
Se o conservadorismo tivesse um extremo, esse extremo chamar-se-ia ‘Frota’. É um anti-conservador; um homem que chocou com os ideais do país, mas que no entanto se entrosou bem na sociedade portuguesa.
Se calhar os opostos realmente atraem-se. Frota, o “muito à frente”, e Portugal, o país retrógrado, dos brandos costumes, da incompetência jurídica, dos atrasos governamentais, dos políticos corruptos, das aparências e da ginástica orçamental. Um país sem medidas fortes e consistentes. Onde é proibido o galheteiro nas mesas dos restaurantes e onde é permitido que se fume sem qualquer restrição. Por amor de Deus! Agora vou ter que gamar com o tipo do lado entusiasmado a lançar fumos para as minhas vestes e a maltratar os meus pulmões, mas devo perceber, no entanto, que o melhor para o país é não juntar o azeite com o vinagre, porque simplesmente desprestigia o azeite e é um mal para a saúde pública! Daqui a pouco proíbem o ketchup e o sal, depois dizem que o açúcar deve ser usado em pacotes ainda mais pequenos, e por fim acabam com o uso do fermento em pó…Este país não para de me surpreender! São surpresas atrás de surpresas.
Oh Frota! Tu é que devias meter ordem no país! Por seres grande, impões respeito, e pelas tuas ideias inovadoras assustas qualquer conservador e fazes o país crescer em menos de nada…temos candidato! E quem é que se importa que ele seja brasileiro? Um brasileiro a assegurar a governação de Portugal seria das medidas menos conservadoras que se poderia adoptar. E se o ministro da defesa fosse ucraniano? Essa seria outra medida de louvar. Os brasileiros e ucranianos passavam a ser vistos com outros olhos e melhorava-se a política do país para com os emigrantes, que são no fundo aqueles que mais fazem pelo desenvolvimento da nação! (Não convém esquecer de um angolano ou moçambicano para ministro das obras públicas!)
“Um país descaracterizado…”, dirão ainda assim alguns intelectuais de direita ou esquerda, ou mesmo qualquer estafermo sem orientação política. Eu respondo da forma mais simples possível: A descaracterização do país começou no dia em que os portugueses resolveram partir do país nas suas caravelas para ir saquear os pobres povos das terras mais longínquas. Sem a riqueza proveniente do saque, o nosso país não seria mais que um país à beira-mar plantado, sem monumentos e com uma riqueza histórica quase inexistente. Em Sagres, provavelmente estaria escrito numa pedra qualquer: “Daqui partiram as caravelas [mas] para ir pescar bacalhau e peixe espada.” Esse, sim, seria o cenário de uma país pouco ou nada descaracterizado. Vasco da Gama não passaria de um mito, Cristovão Colombo nunca teria passado por Portugal (só se fosse pescador de bacalhau ou peixe espada) e Camões, em vez d’ “Os Lusíadas”, teria escrito “A Faina”. A Madeira muito provavelmente não teria sido descoberta, e “o nativo” Alberto João não teria qualquer razão para dizer mal do continente, pela simples razão de o não conhecer.
Se querem um país caracterizado, então mantenham os pedófilos e corruptos no poder. Que é o mesmo que dizer: Deixem o país seguir o seu rumo!
Se, por outro lado, querem um país diferente e inovador, que despenalize o consumo de drogas e que crie condições humanas para os drogados, que proíba o tabaco nos locais públicos, que despenalize o aborto, que seja a favor da regionalização e da proliferação das sex shops…então votem Frota!


A menos de um mês das eleições legislativas.




20
Jan 05
publicado por rogerio, às 14:30link do post | comentar | ver comentários (18)
O retrato das personagens que a seguir se apresenta, é baseado numa análise exaustiva dos modos de vida de cada um. Mais uma vez ao natural, e novamente sem qualquer tipo de filtros.

Diogo, o líder; Ricardo, o bronco; Miguel, o dono da casa; Tiago, o intelectual.

Não queremos que fiquem com uma ideia errada das personagens. O Miguel, por exemplo, não é só o dono da casa. Ele também faz uns ovos estrelados divinais e um bacalhau à Brás do outro mundo…as más línguas dizem que ele é gay, mas nós fomos confirmar, porque não nos deixamos levar por boatos. Fizemos uma apreciação do seu QI, das sua preferências sexuais, dos seus maneirismos, e demos inclusive a volta ao seu vestuário…Chegamos à conclusão que ele afinal não é gay, é só um tanto ao quanto afeminado. E p’ra mais, nenhum homem que goze da sua virilidade, tem um gato em casa como animal de estimação!

Alguns rumores a circular pela Internet, dizem que Ricardo não terá sequer a quarta classe, notícia que também negamos de imediato. Ele tem realmente um curso superior. Em declarações exclusivas ao Alterne Activo, disse-nos que os doze anos passados na universidade terão sido sem dúvida os mais felizes da sua vida. Se voltasse atrás teria feito tudo da mesma forma. Só se arrepende de não ter tido tempo suficiente para gozar a noite lisboeta e de não ter saído mais com os seus colegas e amigos.
O seu pai, antigo ministro da educação, e pessoa extremamente simpática, disse-nos que: “O meu filho sempre mostrou interesse em terminar um curso superior, e essa foi sem dúvida a melhor coisa que eu lhe podia ter oferecido…”.

O Diogo, por sua vez, goza do estatuto de líder natural. Os seus óculos conferem-lhe um ar mais intelectual, embora a sua forma de pensar não vá muito de encontro com esse rótulo.
É a pessoa que dita as leis, e decide quase tudo na maior parte das vezes. Na Escola Primária, terá dito: “Acabou a aula!”, memo antes de soar o toque de saída. Nesse momento todos os alunos terão saído a correr da sala. A professora ficou desde aí espantada com a sua capacidade de liderança e ainda hoje se lembra desse momento. “O Diogo era realmente uma criança adorável. Era impossível não acatar as suas exigências…E já reparou naquelas bochechinhas?”
A partir desse dia, Diogo terá ganho suficiente confiança e auto-estima para liderar o grupo. Mas, no fundo, por detrás daquele grande líder, esconde-se uma criança insegura e imatura. Segundo relatos de uma amiga muito próxima, a última vez que alguém lhe negou alguma coisa, este terá desatado a chorar incessantemente e a gritar de forma infantil e alterada.

O Tiago, intelectual atípico, sem óculos mas com uma forma de pensar acima da média, vê nas situações mais aberrantes uma forma de obter sucesso imediato. Para ele os pontos fracos transformam-se em pontos fortes em menos de nada. É um visionário por excelência e é o grande cérebro do grupo. Raramente se enerva, mas quando isso acontece, até consegue pôr o Diogo a chorar. Publicações já referenciadas, dão conta de um currículo invejável. Com licenciatura, mestrado e doutoramento, Tiago é ainda assim uma pessoa modesta e de fino trato. Lamenta no entanto que o País vire as costas aos grandes génios do panorama nacional. Quando lhe falamos do problema da “fuga de cérebros”, ele respondeu-nos a rir: “Eles têm sorte que eu gosto de Portugal, senão já estaria em Las Vegas…”


O grande sucesso do projecto terá sido, ainda assim, fruto de um trabalho de equipa extraordinário. Tudo possível graças à casa de Miguel, à liderança de Diogo, à espontaneidade de Ricardo e à capacidade inventiva de Tiago.

Onde é que eu entro nesta história? Pois…Enquanto vigiava a casa do Miguel e as conversas do grupo, escondi-me na cozinha. O gato apercebeu-se que eu estava ali e atacou-me de uma forma estupidamente sinistra. Eu combati o gato com todas as minhas forças. Consegui, finalmente, agarrá-lo e atirá-lo pela janela, vindo este a cair (mais tarde) no contentor do lixo.
Atirei-o de um sexto andar mas ele ainda assim sobreviveu, e voltou, como se nada se tivesse passado, mas…Fedorento!


19
Jan 05
publicado por rogerio, às 22:37link do post | comentar | ver comentários (5)
O ‘Alterne Activo’ conseguiu apurar, graças à instalação de um sistema de vigilância altamente sofisticado na casa de Miguel, tudo o que se terá passado antes do ‘Gato’ se tornar um autêntico fenómeno de audiências. Um pequeno excerto do diálogo mantido entre as principais figuras do fenómeno, é seguidamente transcrito, ao natural e sem filtros.

Na casa do Miguel.


RICARDO – Diogo, o que é que achas de mim?

DIOGO - Queres que eu seja realmente sincero?

RICARDO – Claro….

DIOGO- Ok. Na verdade acho que te vestes muito mal, tens uma água de colónia horrível, cheiras mal dos pés e dás imensos pontapés na gramática…

O Ricardo levanta-se e começa a olhar para a sua roupa e a cheirar o seu corpo, à procura de um qualquer odor que o faça sentir nojo de si próprio. Tira o sapato e põe-se a cheira-lo profundamente…

RICARDO – Quê ?? Achas que eu dou mesmo assim tantos pontapés na gramática?

Ninguém responde à pergunta de Ricardo, que parece despropositada. Durante dois segundos instala-se o silêncio.

DIOGO - Pá, já sei! O nosso Projecto podia chamar-se simplesmente: ‘Ricardo Fedorento’! É boa ideia…não é?

RICARDO – Pá! Falam, falam…Falam, falam…mas não os vejo a fazer nada! Eu é que tenho que dar a cara e coisa e tal…

DIOGO – Oh Ricardo! Para pertenceres ao nosso grupo terás de mudar rapidamente a tua forma de falar…estás constantemente a pontapear a gramática!...De uma vez por todas, quem vota para o Ricardo sair do grupo?

O Tiago parece pensativo, enquanto os outros conferenciam acerca da medida mais acertada a tomar.

TIAGO – O tipo até é um gajo porreiro. Se calhar podemos usar o seu pequeno handicap a nosso favor, e levar o público ao furor, com as suas actuações baseadas em conversas sem sentido e com imensas falhas a nível gramatical…. E p’ra mais, ele sempre pode ir frequentando aulas de dicção…

DIOGO - Hmmm…Espero que tenhas razão…Só espero é que ele não entorne o caldo todo…

O Ricardo parece ter ficado realmente chateado.

MIGUEL – Oh Ricardo! Não é preciso te chateares…

RICARDO – Fico chateado…claro que fico chateado…

TIAGO – Podíamos usá-lo como marioneta, e, se víssemos que ele estava prestes a entornar o caldo…dizíamos que fazia tudo parte do espectáculo e que o tipo tinha dificuldade em despir o papel de personagem, e tal…

RICARDO – Ah e tal não! Ah e tal não!

TIAGO – Oh Ricardo, tens que ver que somos um grupo com pretensões e até somos muito amigos de ti, mas podemos estar a sacrificar a nossa carreira profissional por causa de uma simples amizade. Terás que acatar as nossas exigências se também quiseres ir para a frente com o Projecto.

Entretanto, o gato do Miguel passa por ali, passando muitíssimo ao lado do Tiago.

TIAGO – Oh Miguel! Há quanto tempo não lavas o teu gato? O bicho exala uns odores realmente insuportáveis…

MIGUEL – Pá, não tenho tido tempo p’ra lavá-lo, são imensos trabalhos ao mesmo tempo…

Há um silêncio durante pouco mais de três segundos.

RICARDO – Pá! pessoal…desculpem, mas não achei grande graça ao nome do Projecto, ‘Ricardo Fedorento’!...E se eles se lembram de perguntar ‘quem é o Ricardo’?

DIOGO – Esperem! Esperem! Melhor, muito melhor…’Gato Fedorento’! É isso! Acho que encontramos o nome ideal para o nosso projecto!

MIGUEL – Ainda bem que não lavei o meu gato…

TIAGO – Não é má ideia. Ricardo, ficarás desde já encarregue da criação de um blog. É uma tarefa que não envolve grandes responsabilidades, e p’ra mais, qualquer um pode criá-lo.

RICARDO – Blog? O que é isso?…

MIGUEL – Esquece!! Vai-me mas é buscar o papel onde está escrita parte do próximo sketch!!

RICARDO – Qual papel?

MIGUEL – O papel!!


FIM


Nota: Outra interessante parte do diálogo poderá ser brevemente divulgada, isto se não formos processados entretanto.

18
Jan 05
publicado por rogerio, às 15:40link do post | comentar | ver comentários (10)
Partia rumo a lugar nenhum, quando de repente encontrei alguém que procurava sem no entanto querer encontrar. Passei despercebido por ela e lancei-lhe um olhar intimista e altamente provocador…A sua face reagiu com uma expressão que não sei bem o que queria dizer…nem sei se queria dizer alguma coisa…continuei perdido entre um desejo puramente egocêntrico e fugaz, e um outro, mais idealista e autêntico.
…Como se por magia do acaso, no dia seguinte, volto a encontrá-la no mesmo lugar e á mesma hora, e os nossos olhares voltam-se a encontrar. Desta vez parece que algo se começa a delinear. O seu olhar deixa-me petrificado e acabo por não conseguir controlar humanamente as minhas emoções…rapidamente continuo a avançar para lugar nenhum, mas agora caminho com certezas…Passei ao lado de um grande amor ou provavelmente terei amado alguém naquele momento em que os nossos olhares tão indiscretamente se cruzaram. A nossa relação acaba por ser perfeita e efémera, como todas as relações ideais que se prezam. Deixei de ter dúvidas em relação ao seu amor, mas acabaram invariavelmente por surgir dúvidas em relação à minha atitude…dúvidas…dúvidas e mais dúvidas…
Parto sempre com as mesmas dúvidas, mas acabo finalmente por achar que para encontrar um caminho é tão só preciso percorrê-lo…dou-me de repente a pensar como um filósofo vulgar, entregue pura e simplesmente ás suas teorias e praticamente preso aos seus princípios…Detesto ser um Homem de princípios, estandardizados, coerente e demasiado teórico! Para esses, as situações banais resumem-se quase sempre a grandes dissertações filosóficas, quase sempre inquietantes e exageradamente intelectualizadas. Como se tudo pudesse ser explicado com longas dissertações e pensamentos…
…Entrego-me a um silêncio quase mórbido e sinistro e deixo de pensar no que quer que seja…acabo naturalmente por chegar a conclusões óbvias e reveladoras…
Da terceira vez que passo por ela, inexplicadamente, deixo de sentir o que sentia, mas continuo a pensar naquela troca de olhares tão simples e sublime…como se a seta de um cupido qualquer me tivesse acertado em cheio, mas depois outra seta vinda na mesma direcção neutralizasse os efeitos da primeira. Se calhar é possível amar alguém num momento e detestar esse alguém para todo o sempre, mas ainda assim prefiro pensar que “o amor é eterno enquanto dura”…


FIM


Espaço de comentários viciados:

“Paixão? Que sentimento mais estranho e terrivelmente assustador. Amor à primeira vista? Pois…pois…como se isso fosse possível!”

(comentário do cidadão intelectualmente superior)


“Se não fizeres o que tens a fazer mais cedo, acabarás por te tornar demasiado velho para aquilo que tens a fazer. Pensem…eu não sou obrigado a explicar tudo! Nem é esse o meu objectivo…Mesmo assim acho que foi um bom filme! Nota 10 para a exibição de Clooney!”

Pequeno excerto de 'Ocean’s Twelve':

Danny Ocean: Do I look 50 to you?
Basher Tarr: Yes.
Danny Ocean: Really???
Basher Tarr: Well... from the neck up.

(comentário do crítico de cinema extremamente atento a tudo o que se pareça com um filme)



“Hey! ‘O amor é eterno enquanto dura’ é uma frase de Vinicius Moraes! Quem te deu o direito de utilizá-la no teu artigo?”

(comentário de um analista dos direitos de autor extremamente picuinhas e preocupado com a saúde da literatura)



17
Jan 05
publicado por rogerio, às 19:26link do post | comentar | ver comentários (3)
Romário, em declarações a mais de meia dúzia de jornais e televisões brasileiras, e depois de saber, por fontes fidedignas, que Pelé achava que este deveria abandonar a carreira futebolística, acabaria invariavelmente por ofender o mago do futebol mundial, com acusações tão directas e ofensivas como as seguintes: “Pelé calado é um poeta…” ou “Ele só diz merda!”. É claro que pelo meio ainda teve tempo para elogiar o seu homólogo, atribuindo-lhe o estatuto de “Deus do Futebol” e “Grande ícone brasileiro”.
Dias antes, Romário dizia que iria abandonar definitivamente a sua carreira, facto que desmentiria naturalmente no dia seguinte.
Depois de Maradona, é a vez de Romário se juntar ao grupo restrito dos ‘amigos da cocaína’. As suas declarações são infames e reprováveis, para além de ilógicas e pouco entendidas, algo que só se poderá explicar com o consumo excessivo de drogas pesadas. É claro que isto não passa de pura especulação: o grupo dos ‘amigos da cocaína’ na realidade não deve ser assim tão restrito…

(A proximidade da Colômbia explica muita coisa…)

16
Jan 05
publicado por rogerio, às 04:05link do post | comentar | ver comentários (15)
Entre copos de bebidas brancas e gajas boas todos se pareciam divertir, era um ambiente despreocupado e vago, propício a exibições de sexo gratuitas ou a tristes figuras de tipos demasiado alcoolizados. Ao canto da ampla pista e abatidos pelos shots, muitos assistiam agora com uma visão desfocada á efémera felicidade dos que ainda se aguentavam de pé e continuavam a dançar ferozmente. O ecstasy era provavelmente o mote para uma dança tão descoordenada e terrivelmente decepcionante, mas era o álcool que mais contribuía. A música era a única que permanecia constante, tudo o resto diminuía com o tempo. O dj pouco parecia se importar com o cenário que fazia dele rei e senhor da noite. A sua música continuava repetitiva e grosseira, era o techno no seu melhor, aquela era a batida que todos gostavam de ouvir, e, mesmo quando não o era, o estado psicológico dos que a ouviam já não queria outra coisa, os fortes batuques e o ritmo louco ao menos mantinham vivos os corpos e acordado o espírito, e era isso mesmo que se pretendia, pelo menos até o álcool tomar conta dos dois...
Seria nessa mesma noite que tudo haveria de começar. Ao meio da pista ela dançava como ninguém, os seus cabelos louros reluziam a partir da artificialidade daquelas luzes sinistras e o seu corpo acompanhava os seus movimentos sensuais num ritual quase divino e ao mesmo tempo tão sedutor como a pior das tentações. Estava encontrada a mulher mais bela da pista. Para além de loura, tinha olhos azuis e era dona de um corpo escultural. Por alguns segundos pensei se não estaria perante uma deusa, um anjo caído directamente do céu, ou algo realmente transcendente...Olhei-a mais uma vez e vi que era simplesmente uma mulher perfeita e abençoada como nunca vira nenhuma. Fiquei perfeitamente confundido, o álcool começava a me dar as voltas á cabeça e aquela mulher provocava em mim efeitos igualmente alucinantes. Durante algum tempo fixei os olhos no copo de whisky que segurava entre as mãos gélidas e repentinamente obriguei-o a descer pelas goelas já secas. Nem percebi muito bem porque o fizera tão violentamente, só sei que atingira agora um ponto de alcoolização crítico, um estado quase inconsciente e um patamar que para além de me dar as voltas á cabeça, já me começava a dar também as voltas ao estômago...
Já era manhã. Tudo acabara. Tudo excepto os efeitos daquele líquido maldito que haviam se tornado em ressaca e os efeitos daquela mulher que eram agora recordações simplistas de uma noite efémera e incompleta. Algo ficara por dizer e por fazer e tudo se perdera entre as paredes de uma pista de dança…Estava mais uma vez arrependido por aquilo que não fizera…Confiei ao maldito copo de whisky a nobre tarefa de me conduzir até ela, e ele o que fez foi me levar até ao horrendo wc daquele incrível sub mundo...


15
Jan 05
publicado por rogerio, às 23:12link do post | comentar | ver comentários (7)
O autor do blog é um homem íntegro e de ideias inabaláveis. A sua perfeita postura e o seu sentido de humor acima da média, faz deste um dos homens mais interessantes do país. Nasceu numa ilha portuguesa, situada na costa africana, e rumou ao continente por volta do ano 2001, altura em que seria recebido por um enorme público em alvoroço no Aeroporto Sá Carneiro. Diz um dos seus grandes fãs que: "Ele até poderia ser presidente da república, bastaria se candidatar...". A sua candidatura só não se tornou uma realidade porque o próprio detesta a política, repudia a Esquerda e causa-lhe náuseas a Direita. A sua orientação política é ainda indefinida ou simplesmente desconhecida, se bem que as suas atitudes se enquadrem quase sempre num cenário de anarquia extrema e de descrédito total pelas alternativas vigentes. Está constantemente á procura da perfeição, embora a considere uma utopia, é um sonhador consciente e realista e não se deixa desestabilizar pelas opiniões dos outros e pela sua forma de pensar e agir. Age em conformidade com os seus próprios propósitos e apenas ouve o próximo se considerar que vale a pena, ou se o mesmo tiver uma piada fantástica para contar.
Gostaria de aperfeiçoar os seus dotes na música, especialmente no jazz, mas o tempo que tem não lhe permite explorar da forma que mais gostaria o seu sax tenor, que apenas toca por altura do verão. Pretende fazer um rail pela Europa e seduzir com a sua música as principais capitais europeias. O próprio admite que o seu espírito aventureiro poderia muito bem pregar-lhe uma partida brevemente e levá-lo a percorrer a Europa de bicicleta, com um saxofone ás costas e com meia dúzia de chocolates no bolso. “O Che Guevara percorreu a América latina até se tornar revolucionário. Eu próprio admito percorrer a Europa, mas para levar ao limite as minhas capacidades de sobrevivência e para me tornar ainda mais revolucionário.” (note-se a diferença)
A morte do seu pai, vítima de cancro, fez-lhe ver o mundo com outros olhos. É uma pessoa que pode beber até cair, se o ambiente o proporcionar, mas jamais fumaria, diz que o tabaco foi o principal responsável pela morte do seu pai e não admite em situação alguma a aliança com um traidor.
Estuda informática, mas detesta computadores. Tal como Kafka (advogado), terá uma ocupação profissional que odeia, mas ao menos tornar-se-á mais feliz quando tiver que fazer aquilo que mais gosta. Não considera uma actividade profissional um passatempo, logo não acha que se tenha obrigatoriamente de gostar de a exercer. “Se apenas fizermos aquilo que gostarmos, acabamos por criar a ilusão de que a vida é um autêntico mar de rosas. Tornamo-nos pessoas pouco conhecedoras de outras realidades e o nosso interesse resumir-se-á a uma pequena e insignificante área do conhecimento”, disse o próprio. A sua visão, no entanto, vai mais além, diz que um ofício é como uma mulher. Podemos dizer que gostamos muito dela sem no entanto a conhecer. É uma perigo que pretendemos abraçar, e é nosso primeiro instinto o desejo de conquistá-la. Mas, na verdade, toda a sua essência só é conhecida posteriormente, algo que nos pode trazer alguns dissabores ou se revelar numa autêntica desilusão.
Ao nível da escrita, conta com a participação modesta em alguns guiões para filmes que brevemente se poderão estrear numa sala de cinema portuguesa. Gostaria um dia de ver uma das suas obras imortalizadas, por meio de livros ou guiões e tanto ao nível da prosa como da poesia. É um sonhador por excelência, mas nunca se esquece das suas limitações.

publicado por rogerio, às 00:00link do post | comentar | ver comentários (5)
Nada do que aqui se diz ou faz deverá ser mencionado ou relatado em lugar algum; gozamos do secretismo e detestamos a exposição e o mediatismo. O direito á livre expressão existirá enquanto a lei que o condena não actuar em conformidade com os seus excessos e vicissitudes, lembre-se que aqui somos nós que criamos as regras e as leis! Não nos responsabilizamos por quaisquer danos morais que a leitura deste espaço possa provocar. E, ainda que nos declaremos responsáveis, jamais pagaremos pelos nossos actos, por uma razão muito simples: somos contra o Capitalismo e lutamos por um mundo livre de capitalistas desenfreados e tiranos. Repudiamos igualmente os comunistas e qualquer outra orientação política similar, faz-nos imensa confusão a utilização da foice e do martelo numa era dominada pela informática.... Achamos que já é tempo de mudar, somos um grupo progressista, reactivo e contestatário, não estamos satisfeitos com nada e até somos contra a existência de um Governo! Se calhar até somos anarquistas, se bem que não acreditemos nesse sistema adoptado a pessoas normais e irresponsáveis...Procuramos um rumo, mas detestamos rumar, andamos á deriva mas sabemos muito bem qual é o nosso caminho...Se alguém ficou confuso, é bom sinal, ao menos fazemos pensar! Pois...na verdade também somos contra o livre pensamento enquanto arma destruidora de mentes inferiores. Lutamos por uma opinião, mas questionamos as próprias opiniões. Detestamos opiniões sem fundamento mas também somos contra as demasido fundamentadas...detestamos fundamentalistas, principalmente islâmicos. Uma atitude demasiado radical é uma arma demasiado poderosa e faremos tudo (mas mesmo tudo!) para a destruir!



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