espaço que alicia o pensamento, particularmente o perverso
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Dez 06
publicado por rogerio, às 04:00link do post | comentar
Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o café descafeinado. Já ninguém quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paixão. As emoções fortes são fracas e as próprias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, são igualmente namorados da monotonia e amigos íntimos da disciplina. O que está fora de controlo causa-lhes confusão, e afecta-lhes uma certa zona do cérebro, mas quase nunca lhes toca o coração. O amor devia ser sonhado e devia fazê-los voar; em vez disso é planeado, e quanto muito, fá-los pensar.
Sobre o amor não se tem controlo. É um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois dá-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais além. Deixamo-nos cair em tentação, e não nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor também se tem fé, mas não se conhecem orações: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor não é justo, não é perfeito; no amor não se declaram sentenças nem se proferem comunicados. O amor prefere ser imprevisível, cheio de riscos e de fogo cruzado. No amor os braços não se cruzam, as palavras não se gastam e os gestos servem para o demonstrar. Amar também é lutar, e enfrentar monstros fabulosos com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão. É uma ilusão, um sonho, um absurdo e uma fantasia. O amor não se entende, não se interpreta, não se discerne nem se traduz. Quem ama acredita, mas não sabe bem porquê, não sabe bem o quê, nem percebe bem como.

Lindo tema.o amor. Está EXCELENTE.muitos parabéns pelo texto. Deixo-te um pequeno exerto de um poema meu que "liga" a um texto. "...Um momento – olhar – letras – palavras e o coração apanha-se ou perde-se para sempre. Distâncias, fronteiras que desesperadamente nos são inultrapassáveis – mas ama-se.
E o coração guarda o que nos escapa das mãos
O amor não é para se perceber.
Na sua linguagem muito própria – transforma todo o agasalho dos sentidos.

Entre elas...
dor e palavras
o poeta
brinca
no segredo das sombras
a Luz
imprudente
que te agarra
num plano imediato de evasão
alucinado e
lúcido
quebrar grilhetas
fronteiras
destronar.
Tu!
continuas
pendurada no tecto
tua ausência
informa;
madrugada
o céu está menos preto
um busto
ou
uma sombra
solidão redonda
numa vida parada
Luz...
não é flor nem bomba
tampouco página virada
muito menos hecatombe
fria e ferial
como charada final
e indesejada!

falta o indulto especial da tua mão
e tu a dizeres-me, aguda e de assalto:
a solidão
é nada!
e
acendes todos os raios de luz
abrindo
essas asas
de anjo
que o olhar
toldava.

Beijinhos com carinho
Betty a 3 de Dezembro de 2006 às 23:48

O Rogerio parece fazer uma critica? Tendo em conta que so criticamos consoante aquilo que sabemos e conhecemos, e que analisamos as coisas segundo a nossa perspectiva, parece obvio deduzir que o Rogerio prefere a droga mais leve e agora desabafa por isso...
Antonio a 3 de Maio de 2010 às 23:24

Não. Por acaso não prefiro "a droga mais leve", mas é uma interpretação tão válida como outra qualquer...

Quem é o verdadeiro autor deste texto?
Susana Venenno a 15 de Fevereiro de 2013 às 11:25

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